domingo, 21 de dezembro de 2008
Até onde vai a tirania nas universidades estaduais paulistas?
Adunicamp Notícias - 18 de dezembro de 2008
Até onde vai a tirania nas universidades estaduais paulistas?
Não é de hoje que os movimentos sociais têm sido alvos de ataques daqueles que entendem democracia apenas como SEU legítimo poder de fazer e desfazer. Várias foram as denúncias de perseguições políticas como a demissão de Dirceu Travesso e a invasão à reunião da Conlutas em São José dos Campos, agora essas perseguições se processam no interior da Universidade Pública pondo em risco sua missão de espaço livre de debates.
Dentro das universidades estaduais paulistas a situação não é muito diferente, estava apenas mais velada. Mas neste final de ano isto mudou. Fomos surpreendidos por uma série de incidentes que nos fazem pensar: até onde pode ir a tirania das administrações das universidades estaduais paulistas?
Após anos de perseguições políticas por parte da coordenadoria executiva do campus de Registro da UNESP, os professores Mauro Donizeti Tonasse, Palimécio Gimenes Guerrero Júnior, Afrânio José Soriano Soares e João Vicente Coffani Nunes, companheiros da Adunesp, receberam novas ameaças de morte.
As primeiras denúncias foram levadas à Reitoria da Unesp que nada fez para reverter este processo de banditismo que se instaurou sobre o campus de Registro, no qual a administração local leva ao pé da letra o título de EXPERIMENTAL que o campus carrega utilizando práticas poucos usuais em tempos de democracia. Comunicada pela Adunesp, Sintunesp e Fórum das Seis a UNESP abriu, contudo , processo de sindicância contra... as vítimas.
Mas, afinal, o que fizeram estes professores para receber não uma, mas duas vezes ameaças de morte por telefone e e-mail, para terem suas casas pichadas, para serem vítimas de atitudes violentas e covardes?
Eles apenas requereram que a lei fosse respeitada pela Coordenadoria do Campus sobre a qual incidem denúncias várias de autoritarismo e desmandos. Segundo o documento enviado pela Adunesp para o Fórum das Seis (em anexo) os referidos professores estão sendo perseguidos por: "(I) exigir o cumprimento da Portaria UNESP 461/05; (II) questionar e contrapor-se às atitudes autoritárias e aos desmandos da coordenadoria executiva do campus; (III) reivindicar concursos públicos para docentes e funcionários, pautados na impessoalidade pública; (IV) pleitear a constituição de órgão colegiado local, respeitada a legislação em vigor; (V) cobrar prestação de contas, elaboração e aprovação de atas das deliberações do Conselho de Curso dessa unidade, entre outros".
Se a situação no movimento sindical já estava tensa, e muito, devido ao relatado até agora ela piorou após a demissão de Claudionor Brandão, funcionário da USP e dirigente do Sintusp há mais de 20 anos.
No dia 9 de dezembro de 2008, pouco tempo depois de cumprir suspensão de 15 dias por ter participado de um ato contra os Decretos do governador José Serra em 2007, Brandão recebeu sua carta de demissão.
A justificativa da Reitoria da Usp para tal atitude foi a finalização de um outro processo administrativo que vinha se prolongando desde 2005 e que teve seu parecer final elaborado agora.
Brandão não é só um funcionário da Usp, é um dirigente sindical com uma imensa história de defesa dos trabalhadores, mas também da universidade como um todo. Sua demissão, neste momento, quando a universidade está esvaziada por conta das férias de final de ano demonstra a maneira insidiosa como a Reitora da Usp quer conduzir este jogo. E não apenas sobre os funcionários, mas também sobre lideranças estudantis.
Mesmo com todas as dificuldades devido ao recesso que se aproxima a falta de docentes e estudantes já em férias o Sintusp convocou no dia 16 um ato em frente à reitoria que contou com a presença maciça de funcionários, docente e estudantes.
Nomes de peso dentro das universidades brasileiras, mas também intelectuais, políticos e entidades nacionais e internacionais, entre outros a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, estão se mobilizando em protesto pela sua demissão e requerendo sua reincorporação junto à administração da Usp. O abaixo-assinado em favor de Brandão vem crescendo a cada dia (para ver a lista dos apoios acesse: http://contraademissaodebrandao.blogspot.com/)
Permitir que atitudes como estas fiquem sem respostas é permitir que os movimentos sociais e sindicais se tornem cada vez mais vítimas de uma tirania que busca resolver divergências legítimas por meio de processos administrativos.
Trata-se, na realidade, da tentativa de destruir as organizações dos trabalhadores seja pela demissão de suas direções, seja pelo processo de estrangulamento econômico via multas astronômicas.
NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS!
SIM À LIBERDADE DE EXPRESSÃO E OPINIÃO DOS TRABALHADORES BRASILEIROS!
No aniversário de 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos é preciso, mais do que nunca, reafirmar o mais fundamental deles: o direito à vida!!!
Veja os documentos referente ao caso:
Documento da ADUNESP
Documento do Fórum das Seis
Ofício ao CRUESP
Ofício à Reitora da USP
Até onde vai a tirania nas universidades estaduais paulistas?
Não é de hoje que os movimentos sociais têm sido alvos de ataques daqueles que entendem democracia apenas como SEU legítimo poder de fazer e desfazer. Várias foram as denúncias de perseguições políticas como a demissão de Dirceu Travesso e a invasão à reunião da Conlutas em São José dos Campos, agora essas perseguições se processam no interior da Universidade Pública pondo em risco sua missão de espaço livre de debates.
Dentro das universidades estaduais paulistas a situação não é muito diferente, estava apenas mais velada. Mas neste final de ano isto mudou. Fomos surpreendidos por uma série de incidentes que nos fazem pensar: até onde pode ir a tirania das administrações das universidades estaduais paulistas?
Após anos de perseguições políticas por parte da coordenadoria executiva do campus de Registro da UNESP, os professores Mauro Donizeti Tonasse, Palimécio Gimenes Guerrero Júnior, Afrânio José Soriano Soares e João Vicente Coffani Nunes, companheiros da Adunesp, receberam novas ameaças de morte.
As primeiras denúncias foram levadas à Reitoria da Unesp que nada fez para reverter este processo de banditismo que se instaurou sobre o campus de Registro, no qual a administração local leva ao pé da letra o título de EXPERIMENTAL que o campus carrega utilizando práticas poucos usuais em tempos de democracia. Comunicada pela Adunesp, Sintunesp e Fórum das Seis a UNESP abriu, contudo , processo de sindicância contra... as vítimas.
Mas, afinal, o que fizeram estes professores para receber não uma, mas duas vezes ameaças de morte por telefone e e-mail, para terem suas casas pichadas, para serem vítimas de atitudes violentas e covardes?
Eles apenas requereram que a lei fosse respeitada pela Coordenadoria do Campus sobre a qual incidem denúncias várias de autoritarismo e desmandos. Segundo o documento enviado pela Adunesp para o Fórum das Seis (em anexo) os referidos professores estão sendo perseguidos por: "(I) exigir o cumprimento da Portaria UNESP 461/05; (II) questionar e contrapor-se às atitudes autoritárias e aos desmandos da coordenadoria executiva do campus; (III) reivindicar concursos públicos para docentes e funcionários, pautados na impessoalidade pública; (IV) pleitear a constituição de órgão colegiado local, respeitada a legislação em vigor; (V) cobrar prestação de contas, elaboração e aprovação de atas das deliberações do Conselho de Curso dessa unidade, entre outros".
Se a situação no movimento sindical já estava tensa, e muito, devido ao relatado até agora ela piorou após a demissão de Claudionor Brandão, funcionário da USP e dirigente do Sintusp há mais de 20 anos.
No dia 9 de dezembro de 2008, pouco tempo depois de cumprir suspensão de 15 dias por ter participado de um ato contra os Decretos do governador José Serra em 2007, Brandão recebeu sua carta de demissão.
A justificativa da Reitoria da Usp para tal atitude foi a finalização de um outro processo administrativo que vinha se prolongando desde 2005 e que teve seu parecer final elaborado agora.
Brandão não é só um funcionário da Usp, é um dirigente sindical com uma imensa história de defesa dos trabalhadores, mas também da universidade como um todo. Sua demissão, neste momento, quando a universidade está esvaziada por conta das férias de final de ano demonstra a maneira insidiosa como a Reitora da Usp quer conduzir este jogo. E não apenas sobre os funcionários, mas também sobre lideranças estudantis.
Mesmo com todas as dificuldades devido ao recesso que se aproxima a falta de docentes e estudantes já em férias o Sintusp convocou no dia 16 um ato em frente à reitoria que contou com a presença maciça de funcionários, docente e estudantes.
Nomes de peso dentro das universidades brasileiras, mas também intelectuais, políticos e entidades nacionais e internacionais, entre outros a Secretaria de Direitos Humanos do governo federal, estão se mobilizando em protesto pela sua demissão e requerendo sua reincorporação junto à administração da Usp. O abaixo-assinado em favor de Brandão vem crescendo a cada dia (para ver a lista dos apoios acesse: http://contraademissaodebrandao.blogspot.com/)
Permitir que atitudes como estas fiquem sem respostas é permitir que os movimentos sociais e sindicais se tornem cada vez mais vítimas de uma tirania que busca resolver divergências legítimas por meio de processos administrativos.
Trata-se, na realidade, da tentativa de destruir as organizações dos trabalhadores seja pela demissão de suas direções, seja pelo processo de estrangulamento econômico via multas astronômicas.
NÃO À CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS!
SIM À LIBERDADE DE EXPRESSÃO E OPINIÃO DOS TRABALHADORES BRASILEIROS!
No aniversário de 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos é preciso, mais do que nunca, reafirmar o mais fundamental deles: o direito à vida!!!
Veja os documentos referente ao caso:
Documento da ADUNESP
Documento do Fórum das Seis
Ofício ao CRUESP
Ofício à Reitora da USP
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Discurso de José Genoino na Câmara dos Deputados
CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
Sessão: 314.2.53.O
Data: 10/12/2008
O SR. JOSÉ GENOÍNO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) – Tem V. Exa. a palavra.
O SR. JOSÉ GENOÍNO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero fazer um apelo à Reitoria da Universidade de São Paulo em relação à demissão de um dirigente sindical por justa causa, o sindicalista Brandão, o que está gerando um clima de intranqüilidade e insegurança tanto na associação dos professores, no DCE, como no SINTUSP. Faço esse apelo para que se volte atrás nessa demissão nesse final de ano, o que gera um clima de intranqüilidade.
Acabo de receber esse comunicado. Solicitaram que eu fizesse esse apelo na tribuna da Câmara para que a Reitoria da USP voltasse atrás nessa demissão por justa causa, Sr. Presidente.
Sessão: 314.2.53.O
Data: 10/12/2008
O SR. JOSÉ GENOÍNO – Sr. Presidente, peço a palavra pela ordem.
O SR. PRESIDENTE (Arlindo Chinaglia) – Tem V. Exa. a palavra.
O SR. JOSÉ GENOÍNO (PT-SP. Pela ordem. Sem revisão do orador.) – Sr. Presidente, quero fazer um apelo à Reitoria da Universidade de São Paulo em relação à demissão de um dirigente sindical por justa causa, o sindicalista Brandão, o que está gerando um clima de intranqüilidade e insegurança tanto na associação dos professores, no DCE, como no SINTUSP. Faço esse apelo para que se volte atrás nessa demissão nesse final de ano, o que gera um clima de intranqüilidade.
Acabo de receber esse comunicado. Solicitaram que eu fizesse esse apelo na tribuna da Câmara para que a Reitoria da USP voltasse atrás nessa demissão por justa causa, Sr. Presidente.
Abaixo-assinado contra a demissão de Claudionor Brandão
SINDICATO DOS TRABALHADORES DA USP
DCE USP – atual gestão: Vez e Voz e a gestão eleita: Nada Será Como Antes
Adusp – Associação dos Docentes da USP
No dia 09/12/08, a reitoria da Universidade de São Paulo demitiu, alegando justa causa, o diretor do SINTUSP e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário, Claudionor Brandão. Essa medida faz parte de um processo de perseguição e punição a setores do movimento operário, estudantil e de movimentos sociais. Brandão fez parte, em diversos momentos, das lutas em defesa da universidade pública e da educação de qualidade e é por esse motivo que agora a reitoria da USP tenta colocá-lo na cada vez mais longa lista de demitidos políticos pelo país a fora.
Como delegado sindical e diretor do SINTUSP eleito em fóruns da categoria, Brandão sempre esteve à frente da defesa dos interesses do conjunto dos trabalhadores da universidade, se pautando em deliberações legitimamente tomadas pelos trabalhadores em suas assembléias e instâncias de decisão. Por tudo isso, as entidades, associações e movimentos abaixo-assinados REPUDIAM A DEMISSÃO do diretor do SINTUSP Claudionor Brandão. Trata-se de um ataque duríssimo à liberdade de organização sindical e política dos trabalhadores, estudantes e ao próprio SINTUSP.
Exigimos a REINCORPORAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL de Claudionor Brandão aos quadros da universidade e a retirada de todos os processos administrativos e sindicâncias aos estudantes, trabalhadores e professores que lutaram em defesa da universidade.
Favor enviar adesões para: sintusp1@terra.com.br
com cópia para
contraademissaodobrandao@yahoo.com.br
DCE USP – atual gestão: Vez e Voz e a gestão eleita: Nada Será Como Antes
Adusp – Associação dos Docentes da USP
No dia 09/12/08, a reitoria da Universidade de São Paulo demitiu, alegando justa causa, o diretor do SINTUSP e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário, Claudionor Brandão. Essa medida faz parte de um processo de perseguição e punição a setores do movimento operário, estudantil e de movimentos sociais. Brandão fez parte, em diversos momentos, das lutas em defesa da universidade pública e da educação de qualidade e é por esse motivo que agora a reitoria da USP tenta colocá-lo na cada vez mais longa lista de demitidos políticos pelo país a fora.
Como delegado sindical e diretor do SINTUSP eleito em fóruns da categoria, Brandão sempre esteve à frente da defesa dos interesses do conjunto dos trabalhadores da universidade, se pautando em deliberações legitimamente tomadas pelos trabalhadores em suas assembléias e instâncias de decisão. Por tudo isso, as entidades, associações e movimentos abaixo-assinados REPUDIAM A DEMISSÃO do diretor do SINTUSP Claudionor Brandão. Trata-se de um ataque duríssimo à liberdade de organização sindical e política dos trabalhadores, estudantes e ao próprio SINTUSP.
Exigimos a REINCORPORAÇÃO IMEDIATA E INCONDICIONAL de Claudionor Brandão aos quadros da universidade e a retirada de todos os processos administrativos e sindicâncias aos estudantes, trabalhadores e professores que lutaram em defesa da universidade.
Favor enviar adesões para: sintusp1@terra.com.br
com cópia para
contraademissaodobrandao@yahoo.com.br
Grupo PRÁXIS : Pela readmissão imediata de Claudionor Brandão
PRÁXIS
Pela readmissão imediata de Claudionor Brandão
A crise econômica começa a ser sentida de várias formas pelos trabalhadores no Brasil e no mundo. Só nos EUA 500 mil trabalhadores perderam os seus empregos, a previsão da ONU é mais 20 milhões demissões em 2009.
Diante da crise histórica do capitalismo, para manter suas margens de lucro, a burguesia e o seu Estado atacam sistematicamente os trabalhadores, suas organizações e seus representantes.
Mas estes já começam a dar sinais de que não vão aceitar passivamente as políticas anticrise da classe dominante, ou seja, várias formas de resistência estão sendo desenvolvidas em todo o planeta, tais como greves, ocupações, atos etc.
É dentro deste contexto de agudização da luta de classes que se insere a demissão de Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e militante da Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI).
O companheiro foi eleito em 2007 e tinha estabilidade sindical garantida por lei, assim a sua demissão foi perpetrada por “justa causa”, sob a grave acusação de ”faltas graves”, como, por exemplo, dirigir piquetes e paralisações nas greves de 2005 e 2006.
Esta demissão no período de férias dos estudantes e recesso dos trabalhadores é parte de uma estratégia mais ampla de ameaças, demissões e até execuções, como a dos três companheiros da C-Cura (Central sindical opositora ao governo de Hugo Chaves) que foram assassinados depois de encabeçar uma mobilização de resistência e enfrentamento com a patronal e a polícia.
Brandão foi demitido porque a reitoria da USP - aríete do governador José Serra do PSDB - precisa criar melhores condições para dar continuidade a outras ofensivas contra a universidade pública no Estado de São Paulo - pois, a ocupação da reitoria, com duração de 51 dias em 2007, colocou concretamente para os trabalhadores e estudantes desta que com luta é possível resistir - por isso o ataque às lideranças dos trabalhadores.
É importante atentar para o fato que esta demissão de uma liderança sindical e política é apenas a ponta do iceberg, ou seja, uma série de outros processos políticos está se avolumando e sendo preparados para efetivar o afastamento de suas bases de outras lideranças com o objetivo de dificultar a resistência dos trabalhadores.
Assim, o Práxis como parte da Corrente Internacional Socialismo ou Barbárie se solidariza integralmente com a campanha pela readmissão imediata de Claudionor Brandão, como uma das formas de resistir à ofensiva contra os ataques às lideranças combativas da nossa classe, e, também, para neste momento de crise sistêmica do capitalismo, a classe trabalhadora possa ir para além das lutas de resistência imediata e incorporem a luta contra o capitalismo e a construção do socialismo como bandeiras cotidianas.
Pela readmissão imediata de Claudionor Brandão
A crise econômica começa a ser sentida de várias formas pelos trabalhadores no Brasil e no mundo. Só nos EUA 500 mil trabalhadores perderam os seus empregos, a previsão da ONU é mais 20 milhões demissões em 2009.
Diante da crise histórica do capitalismo, para manter suas margens de lucro, a burguesia e o seu Estado atacam sistematicamente os trabalhadores, suas organizações e seus representantes.
Mas estes já começam a dar sinais de que não vão aceitar passivamente as políticas anticrise da classe dominante, ou seja, várias formas de resistência estão sendo desenvolvidas em todo o planeta, tais como greves, ocupações, atos etc.
É dentro deste contexto de agudização da luta de classes que se insere a demissão de Claudionor Brandão, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (SINTUSP) e militante da Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI).
O companheiro foi eleito em 2007 e tinha estabilidade sindical garantida por lei, assim a sua demissão foi perpetrada por “justa causa”, sob a grave acusação de ”faltas graves”, como, por exemplo, dirigir piquetes e paralisações nas greves de 2005 e 2006.
Esta demissão no período de férias dos estudantes e recesso dos trabalhadores é parte de uma estratégia mais ampla de ameaças, demissões e até execuções, como a dos três companheiros da C-Cura (Central sindical opositora ao governo de Hugo Chaves) que foram assassinados depois de encabeçar uma mobilização de resistência e enfrentamento com a patronal e a polícia.
Brandão foi demitido porque a reitoria da USP - aríete do governador José Serra do PSDB - precisa criar melhores condições para dar continuidade a outras ofensivas contra a universidade pública no Estado de São Paulo - pois, a ocupação da reitoria, com duração de 51 dias em 2007, colocou concretamente para os trabalhadores e estudantes desta que com luta é possível resistir - por isso o ataque às lideranças dos trabalhadores.
É importante atentar para o fato que esta demissão de uma liderança sindical e política é apenas a ponta do iceberg, ou seja, uma série de outros processos políticos está se avolumando e sendo preparados para efetivar o afastamento de suas bases de outras lideranças com o objetivo de dificultar a resistência dos trabalhadores.
Assim, o Práxis como parte da Corrente Internacional Socialismo ou Barbárie se solidariza integralmente com a campanha pela readmissão imediata de Claudionor Brandão, como uma das formas de resistir à ofensiva contra os ataques às lideranças combativas da nossa classe, e, também, para neste momento de crise sistêmica do capitalismo, a classe trabalhadora possa ir para além das lutas de resistência imediata e incorporem a luta contra o capitalismo e a construção do socialismo como bandeiras cotidianas.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Fotos do Ato CONTRA A DEMISSÃO DO BRANDÃO
Abaixo seguem as fotos e os vídeos do Ato do dia 16/12
Videos:
http://www.youtube.com/watch?v=e9Neg1VS5Tg&feature=channel_page
http://www.youtube.com/watch?v=xruwnE63G-8&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=KzX9PV7sC8E&feature=channel
Fotos:
Videos:
http://www.youtube.com/watch?v=e9Neg1VS5Tg&feature=channel_page
http://www.youtube.com/watch?v=xruwnE63G-8&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=KzX9PV7sC8E&feature=channel
Fotos:


Edmundo - Representante da ADUNICAMP e coordenador do Fórum das Seis
Chico Miraglia - Representante da ADUSPMoção Comissão Calourada Unesp/Marília
Comissão de Calourada Estudantil 2009 – UNESP Marília
Moção de repúdio à demissão de Claudionor Brandão
Nós, estudantes que nos organizamos para programar a calourada 2009, conforme deliberação de Assembléia Geral dos Estudantes de Marília, viemos através desta manifestar nosso repúdio a Reitoria da USP, que tem como sua figura máxima a reitora Sueli Vilela, a qual se utilizou do período de férias para demitir, por "justa causa", o trabalhador Claudionor Brandão, integrante do Sindicato de Funcionários da USP, alegando sua participação na luta dos trabalhadores.
Infelizmente vivemos num País de valores invertidos, em 2007 os estudantes ocuparam a Reitoria da USP e tornaram público documentos oficiais que comprovavam o favorecimento por parte da Reitoria para que membros do governo do Estado de São Paulo indicados fossem favorecidos no processo de seleção para o mestrado da mesma universidade, no entanto ninguém foi punido por este episódio. Em 2008, acompanhamos a luta dos estudantes da UnB pela derrubada de um Reitor comprovadamente corrupto, que gastava dinheiro público para comprar, entre outros objetos, lixeiras e abridores de lata de banhados a ouro, no entanto esse também não foi punido. Da mesma forma, no Governo Federal observamos diversos casos de corrupção, que também “acabam em pizza”, no entanto quando estudantes, trabalhadores e professores lutam por uma Universidade Pública, Livre, Democrática, Laica, Gratuita, de Qualidade, Para Todos e a Serviço das Demandas da Maioria da População, esses são perseguidos e punidos, por “justa causa”.
Para nós esta medida se mostra claramente anti-democrática, pois se faz como um ataque direto a todo movimento que luta por justiça social em nosso País , é por esse motivo que entendemos que um ataque a qualquer lutador é um ataque a todos os lutadores, e exigimos a imediata reincorporação de Claudionor Brandão ao quadro de funcionários da USP.
Chamamos todas as Entidades Estudantis, Operárias, Populares e de Direitos Humanos a se somarem nesta luta pelo livre direito de organização dos trabalhadores! É necessário que estejamos fortes e unidos como um só punho, para que todos saibam que: Se Atacam Um, Atacam Todos!
Pela imediata readmissão do companheiro Brandão ao quadro de funcionários da USP!
Nenhum ataque ao movimento sindical, estudantil e popular!
Por uma Universidade Pública, Livre, Democrática, Laica, Gratuita, de Qualidade, Para Todos e a Serviço das Demandas da Maioria da População!
Moção de repúdio à demissão de Claudionor Brandão
Nós, estudantes que nos organizamos para programar a calourada 2009, conforme deliberação de Assembléia Geral dos Estudantes de Marília, viemos através desta manifestar nosso repúdio a Reitoria da USP, que tem como sua figura máxima a reitora Sueli Vilela, a qual se utilizou do período de férias para demitir, por "justa causa", o trabalhador Claudionor Brandão, integrante do Sindicato de Funcionários da USP, alegando sua participação na luta dos trabalhadores.
Infelizmente vivemos num País de valores invertidos, em 2007 os estudantes ocuparam a Reitoria da USP e tornaram público documentos oficiais que comprovavam o favorecimento por parte da Reitoria para que membros do governo do Estado de São Paulo indicados fossem favorecidos no processo de seleção para o mestrado da mesma universidade, no entanto ninguém foi punido por este episódio. Em 2008, acompanhamos a luta dos estudantes da UnB pela derrubada de um Reitor comprovadamente corrupto, que gastava dinheiro público para comprar, entre outros objetos, lixeiras e abridores de lata de banhados a ouro, no entanto esse também não foi punido. Da mesma forma, no Governo Federal observamos diversos casos de corrupção, que também “acabam em pizza”, no entanto quando estudantes, trabalhadores e professores lutam por uma Universidade Pública, Livre, Democrática, Laica, Gratuita, de Qualidade, Para Todos e a Serviço das Demandas da Maioria da População, esses são perseguidos e punidos, por “justa causa”.
Para nós esta medida se mostra claramente anti-democrática, pois se faz como um ataque direto a todo movimento que luta por justiça social em nosso País , é por esse motivo que entendemos que um ataque a qualquer lutador é um ataque a todos os lutadores, e exigimos a imediata reincorporação de Claudionor Brandão ao quadro de funcionários da USP.
Chamamos todas as Entidades Estudantis, Operárias, Populares e de Direitos Humanos a se somarem nesta luta pelo livre direito de organização dos trabalhadores! É necessário que estejamos fortes e unidos como um só punho, para que todos saibam que: Se Atacam Um, Atacam Todos!
Pela imediata readmissão do companheiro Brandão ao quadro de funcionários da USP!
Nenhum ataque ao movimento sindical, estudantil e popular!
Por uma Universidade Pública, Livre, Democrática, Laica, Gratuita, de Qualidade, Para Todos e a Serviço das Demandas da Maioria da População!
Nota Repúdio da Consulta Popular - Franca/SP
Nota de repúdio
Nós, da Consulta Popular de Franca, vimos por meio desta nota repudiar a demissão do líder sindical e lutador da classe trabalhadora Claudionor Brandão, bem como prestar nossa solidariedade ao companheiro diretor do Sintusp.
Sua demissão representa um ataque a toda classe e aos estudantes, à medida que a perseguição se direciona contra aquele que se dedica à defesa de uma Educação pública, gratuita, de qualidade e a serviço do povo.
Mas isso não é uma novidade. Todo lutador que, conforme Brandão, não admitir os ataques das reitorias à Educação, e se colocar à ofensiva, decerto será perseguido. No entanto, é preciso que neste momento de crise, onde a Educação Pública provavelmente será atingida pelas tentativas de recomposição do capital, multipliquem- se os Brandões.
Concordamos com a reitora da USP, Sueli Vilela: é justa a causa de Brandão. Mas saibamos que nos marcos da Universidade do capital, a recompensa por luta tão justa e necessária será a demissão – mesmo que ilegal – daqueles que se colocam em movimento. E isso, antes de retrair o movimento sindical, deverá ser mote para campanhas unitárias; ensinará a classe trabalhadora que é preciso construir um Projeto Alternativo de Poder.
Engrossamos, portanto, as fileiras de defesa da Educação Pública e de um sindicalismo combativo.
Pela readmissão incondicional e imediata de Claudionor Brandão aos quadros da USP! Pela Educação pública, gratuita, de qualidade e a serviço do povo!
Viva a luta da classe trabalhadora!
Consulta Popular – Franca/SP
Nós, da Consulta Popular de Franca, vimos por meio desta nota repudiar a demissão do líder sindical e lutador da classe trabalhadora Claudionor Brandão, bem como prestar nossa solidariedade ao companheiro diretor do Sintusp.
Sua demissão representa um ataque a toda classe e aos estudantes, à medida que a perseguição se direciona contra aquele que se dedica à defesa de uma Educação pública, gratuita, de qualidade e a serviço do povo.
Mas isso não é uma novidade. Todo lutador que, conforme Brandão, não admitir os ataques das reitorias à Educação, e se colocar à ofensiva, decerto será perseguido. No entanto, é preciso que neste momento de crise, onde a Educação Pública provavelmente será atingida pelas tentativas de recomposição do capital, multipliquem- se os Brandões.
Concordamos com a reitora da USP, Sueli Vilela: é justa a causa de Brandão. Mas saibamos que nos marcos da Universidade do capital, a recompensa por luta tão justa e necessária será a demissão – mesmo que ilegal – daqueles que se colocam em movimento. E isso, antes de retrair o movimento sindical, deverá ser mote para campanhas unitárias; ensinará a classe trabalhadora que é preciso construir um Projeto Alternativo de Poder.
Engrossamos, portanto, as fileiras de defesa da Educação Pública e de um sindicalismo combativo.
Pela readmissão incondicional e imediata de Claudionor Brandão aos quadros da USP! Pela Educação pública, gratuita, de qualidade e a serviço do povo!
Viva a luta da classe trabalhadora!
Consulta Popular – Franca/SP
Entrevista com Brandão - site PCO
Entrevista
A USP é uma ditadura: “A burocracia universitária despreza os funcionários e sequer reconhece o direito de que eles tenham sindicato”
O companheiro Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP - Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual de São Paulo - falou ao Causa Operária sobre sua demissão e os ataques ao Sindicato e da luta contra as demissões na USP e em todo o País14 de dezembro de 2008
Causa Operária - A quanto tempo você trabalha na USP e quais as atividades que desempenhava como funcionário e como militante sindical?
Claudionor Brandão - Ingressei na USP há 21 anos, sou mecânico de refrigeração. Participei ativamente de todas as lutas dos funcionários nos últimos anos e, pela terceira vez, participo da diretoria do SINTUSP. Fui eleito pelos funcionários para integrar o Conselho Universitário.
Causa Operária - Na USP e nas demais universidade públicas há uma enorme onda repressiva contra a juventude e os funcionários por parte da burocracia universitária, qual o pretexto da reitoria para sua demissão?
Brandão - Montaram um processo fajuto iniciado pela direção da FAU [Faculdade de Arquitetura e Urbanismo], cujo antigo diretor, que iniciou o processo, agora é secretário do Serra. A principal acusação é a de que eu teria, em 2005, invadido a biblioteca da FAU à frente de estranhos, feito ameaças aos funcionários, colocado em risco o patrimônio e o acervo da biblioteca e ainda desacatado o diretor da Faculdade.
Causa Operária - O que de fato aconteceu?
Brandão - Estávamos em greve e eu pertencia ao Comando de Greve da categoria. O diretor da FAU agia como se fosse dono da Faculdade e agia em clara coação para que os servidores não participassem da greve decidida pela categoria, como foi denunciado por vários companheiros. Ele decidiu que ia manter a biblioteca aberta, sem respeitar a opinião dos funcionários. Junto com diretores do Sindicato reunimos os funcionários da FAU que, por unanimidade, decidiram que a biblioteca devia ser fechada. Foi formada uma comissão, da qual eu fazia parte e nos dirigimos à biblioteca, junto com algumas dezenas de funcionários para conversar com os poucos trabalhadores que ainda estavam lá sob coação do diretor.Todo o resto é pura provocação e invenção do diretor.
Causa Operária - Foi o único processo contra você por parte da administração da USP?
Brandão – Não, são três processos encadeados. O primeiro é de 2000. Neste ano, um grupo de fura-greves, reunidos pela reitoria de diversos restaurantes, um punhado de cada lugar; na tentativa de fazer funcionar o Restaurante da Física. Os trabalhadores realizavam uma passeata para pressionar pelo fechamento do Restaurante e pela adesão à greve.Eles lançaram a acusação de que teriam jogado amônia no local para forçar a saída dos que furavam a greve e me apontaram como o responsável pelo ocorrido, instaurando um processo contra mim. O procurador responsável concluiu que não foi possível provar a minha participação (sequer conseguiram provar que eu estivesse nas proximidades no momento do ocorrido), mas aí apontou a necessidade de que eu fosse punido por ter "concorrido" para o que aconteceu. Tomei cinco dias de suspensão. Em 2006, outro processo. Uma empresa terceirizada que prestava serviço na Faculdade de Educação realizou cerca de 100 demissões e cometia uma série de irregularidades contra os seus empregados, que trabalhavam em péssimas condições, ao ponto de serem forçadas a fazerem suas refeições no banheiro porque a chefia não deixava que almoçassem no Restaurante da Faculdade. Organizamos uma mobilização na qual participavam uma maioria de mulheres e estava marcada uma negociação na Reitoria. Eles tentaram impedir o Sintusp de representar os funcionários, trazendo uns pelegos, diretores de um Sindicato de Trabalhadores no Asseio, SIemaco, com um monte de bate-paus, que vieram nos agredir e tentar impedir que participássemos da reunião. Fomos violentamente agredidos e os seguranças da Reitoria fecharam as portas para que não entrássemos. Já muito machucados tivemos que forçar a entrada, até por uma questão de segurança diante das agressões. Alguns vidros foram quebrados. O Sintusp chegou até a pagar pelas vidraças, mas de novo nos processaram e tomei uma suspensão de vinte dias, sob a alegação de que estaria "defendendo interesses estranhos aos dos funcionários da USP" e desta forma cometendo um "desvio de minha função sindical". É uma ditadura em que eles querem dizer até qual é a nossa função.
Causa Operária - E o terceiro é esse que resultou na demissão?
Brandão - Isso mesmo. Em 2005, depois de intensa pressão de estudantes, funcionários e professores, conseguimos que a ALESP [Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo] aprovasse um pequeno aumento no orçamento das universidades estaduais. O então governador Alckmin vetou este aumento e iniciamos uma mobilização.
Causa Operária - Há outros companheiros do Sintusp sendo processados?
Brandão – Sim, há vários diretores como o Aníbal, Zelito, companheiros do Interior como o Germano, de São Carlos e o Osni, de Piracicaba, vários ex-diretores que também respondem processos.
Causa Operária - Trata-se da violação da liberdade de organização sindical. Há também um processo contra o Sindicato?
Brandão - É, por supostos danos causados na ocupação da reitoria de 2007, em que estamos sendo sentenciados a pagar mais de R$ 360 mil, em um aberto ataque à nossa organização sindical. A burocracia universitária despreza os funcionários e sequer reconhece o direito de que eles tenham sindicato, acham que é um absurdo ter um sindicato dos trabalhadores da USP. Querem abrir caminho para novos ataques que vão ficar cada vez mais duros diante do agravamento da crise que estamos vendo.
Causa Operária - As demissões só podem ser barradas por meio da mobilização dos trabalhadores. Quais as propostas que vocês têm para essa luta?
Brandão - Sabemos que sem mobilizar é impossível barrar as demissões. Estamos realizando assembléias e foi aprovada uma paralisação no dia 16, com ato em frente à Reitoria. Nesse dia acontece a reunião do Conselho Universitário que vai deliberar sobre o orçamento da USP para 2009. Em uma primeira assembléia na prefeitura com centenas de trabalhadores, logo após o comunicado da minha demissão, houve a proposta de greve por tempo indeterminado, mas entendemos que enfrentamos neste momento dificuldades objetivas para uma mobilização de maior envergadura: estamos no fim do ano e há uma grande dispersão, a USP fecha no próximo dia 19, a maioria dos estudantes já estão de férias e temos pouco tempo, agora, para uma mobilização interna. A Universidade reabre no dia 5 de janeiro mas apenas com uma parte dos trabalhadores, já que 60% deles têm férias em janeiro.
Causa Operária - O PCO defendeu no ato uma ampla mobilização que extrapole os muros da USP, a realização de uma campanha nacional contra sua demissão e contra as demissões em geral, como você vê esta proposta?
Brandão - Estamos plenamente de acordo com realizar uma campanha nacional, de buscar uma frente para lutar, estamos cobrando da Conlutas e temos em mente que não se trata da defesa isolada, da luta apenas contra minha demissão, achamos que é necessária uma frente única de luta dos que estão contra as demissões. Propusemos também um encontro regional aqui em São Paulo para juntar forças e lutar contra todas as demissões.
Fonte: http://www.pco.org.br/conoticias/imprimir_materia.php?mat=11158
A USP é uma ditadura: “A burocracia universitária despreza os funcionários e sequer reconhece o direito de que eles tenham sindicato”
O companheiro Claudionor Brandão, diretor do SINTUSP - Sindicato dos Trabalhadores da Universidade Estadual de São Paulo - falou ao Causa Operária sobre sua demissão e os ataques ao Sindicato e da luta contra as demissões na USP e em todo o País14 de dezembro de 2008
Causa Operária - A quanto tempo você trabalha na USP e quais as atividades que desempenhava como funcionário e como militante sindical?
Claudionor Brandão - Ingressei na USP há 21 anos, sou mecânico de refrigeração. Participei ativamente de todas as lutas dos funcionários nos últimos anos e, pela terceira vez, participo da diretoria do SINTUSP. Fui eleito pelos funcionários para integrar o Conselho Universitário.
Causa Operária - Na USP e nas demais universidade públicas há uma enorme onda repressiva contra a juventude e os funcionários por parte da burocracia universitária, qual o pretexto da reitoria para sua demissão?
Brandão - Montaram um processo fajuto iniciado pela direção da FAU [Faculdade de Arquitetura e Urbanismo], cujo antigo diretor, que iniciou o processo, agora é secretário do Serra. A principal acusação é a de que eu teria, em 2005, invadido a biblioteca da FAU à frente de estranhos, feito ameaças aos funcionários, colocado em risco o patrimônio e o acervo da biblioteca e ainda desacatado o diretor da Faculdade.
Causa Operária - O que de fato aconteceu?
Brandão - Estávamos em greve e eu pertencia ao Comando de Greve da categoria. O diretor da FAU agia como se fosse dono da Faculdade e agia em clara coação para que os servidores não participassem da greve decidida pela categoria, como foi denunciado por vários companheiros. Ele decidiu que ia manter a biblioteca aberta, sem respeitar a opinião dos funcionários. Junto com diretores do Sindicato reunimos os funcionários da FAU que, por unanimidade, decidiram que a biblioteca devia ser fechada. Foi formada uma comissão, da qual eu fazia parte e nos dirigimos à biblioteca, junto com algumas dezenas de funcionários para conversar com os poucos trabalhadores que ainda estavam lá sob coação do diretor.Todo o resto é pura provocação e invenção do diretor.
Causa Operária - Foi o único processo contra você por parte da administração da USP?
Brandão – Não, são três processos encadeados. O primeiro é de 2000. Neste ano, um grupo de fura-greves, reunidos pela reitoria de diversos restaurantes, um punhado de cada lugar; na tentativa de fazer funcionar o Restaurante da Física. Os trabalhadores realizavam uma passeata para pressionar pelo fechamento do Restaurante e pela adesão à greve.Eles lançaram a acusação de que teriam jogado amônia no local para forçar a saída dos que furavam a greve e me apontaram como o responsável pelo ocorrido, instaurando um processo contra mim. O procurador responsável concluiu que não foi possível provar a minha participação (sequer conseguiram provar que eu estivesse nas proximidades no momento do ocorrido), mas aí apontou a necessidade de que eu fosse punido por ter "concorrido" para o que aconteceu. Tomei cinco dias de suspensão. Em 2006, outro processo. Uma empresa terceirizada que prestava serviço na Faculdade de Educação realizou cerca de 100 demissões e cometia uma série de irregularidades contra os seus empregados, que trabalhavam em péssimas condições, ao ponto de serem forçadas a fazerem suas refeições no banheiro porque a chefia não deixava que almoçassem no Restaurante da Faculdade. Organizamos uma mobilização na qual participavam uma maioria de mulheres e estava marcada uma negociação na Reitoria. Eles tentaram impedir o Sintusp de representar os funcionários, trazendo uns pelegos, diretores de um Sindicato de Trabalhadores no Asseio, SIemaco, com um monte de bate-paus, que vieram nos agredir e tentar impedir que participássemos da reunião. Fomos violentamente agredidos e os seguranças da Reitoria fecharam as portas para que não entrássemos. Já muito machucados tivemos que forçar a entrada, até por uma questão de segurança diante das agressões. Alguns vidros foram quebrados. O Sintusp chegou até a pagar pelas vidraças, mas de novo nos processaram e tomei uma suspensão de vinte dias, sob a alegação de que estaria "defendendo interesses estranhos aos dos funcionários da USP" e desta forma cometendo um "desvio de minha função sindical". É uma ditadura em que eles querem dizer até qual é a nossa função.
Causa Operária - E o terceiro é esse que resultou na demissão?
Brandão - Isso mesmo. Em 2005, depois de intensa pressão de estudantes, funcionários e professores, conseguimos que a ALESP [Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo] aprovasse um pequeno aumento no orçamento das universidades estaduais. O então governador Alckmin vetou este aumento e iniciamos uma mobilização.
Causa Operária - Há outros companheiros do Sintusp sendo processados?
Brandão – Sim, há vários diretores como o Aníbal, Zelito, companheiros do Interior como o Germano, de São Carlos e o Osni, de Piracicaba, vários ex-diretores que também respondem processos.
Causa Operária - Trata-se da violação da liberdade de organização sindical. Há também um processo contra o Sindicato?
Brandão - É, por supostos danos causados na ocupação da reitoria de 2007, em que estamos sendo sentenciados a pagar mais de R$ 360 mil, em um aberto ataque à nossa organização sindical. A burocracia universitária despreza os funcionários e sequer reconhece o direito de que eles tenham sindicato, acham que é um absurdo ter um sindicato dos trabalhadores da USP. Querem abrir caminho para novos ataques que vão ficar cada vez mais duros diante do agravamento da crise que estamos vendo.
Causa Operária - As demissões só podem ser barradas por meio da mobilização dos trabalhadores. Quais as propostas que vocês têm para essa luta?
Brandão - Sabemos que sem mobilizar é impossível barrar as demissões. Estamos realizando assembléias e foi aprovada uma paralisação no dia 16, com ato em frente à Reitoria. Nesse dia acontece a reunião do Conselho Universitário que vai deliberar sobre o orçamento da USP para 2009. Em uma primeira assembléia na prefeitura com centenas de trabalhadores, logo após o comunicado da minha demissão, houve a proposta de greve por tempo indeterminado, mas entendemos que enfrentamos neste momento dificuldades objetivas para uma mobilização de maior envergadura: estamos no fim do ano e há uma grande dispersão, a USP fecha no próximo dia 19, a maioria dos estudantes já estão de férias e temos pouco tempo, agora, para uma mobilização interna. A Universidade reabre no dia 5 de janeiro mas apenas com uma parte dos trabalhadores, já que 60% deles têm férias em janeiro.
Causa Operária - O PCO defendeu no ato uma ampla mobilização que extrapole os muros da USP, a realização de uma campanha nacional contra sua demissão e contra as demissões em geral, como você vê esta proposta?
Brandão - Estamos plenamente de acordo com realizar uma campanha nacional, de buscar uma frente para lutar, estamos cobrando da Conlutas e temos em mente que não se trata da defesa isolada, da luta apenas contra minha demissão, achamos que é necessária uma frente única de luta dos que estão contra as demissões. Propusemos também um encontro regional aqui em São Paulo para juntar forças e lutar contra todas as demissões.
Fonte: http://www.pco.org.br/conoticias/imprimir_materia.php?mat=11158
OPINIÃO - Michel Silva
Na USP, ditadura ontem e hoje*
Por Michel Silva
Desde o primeiro momento em que recebi a notícia da demissão por “justa causa” do camarada Brandão, não pude deixar de lembrar da larga trajetória de políticas de repressão dentro da Universidade de São Paulo (USP) e da forma como foi utilizado o Ato Institucional nº 5 (AI-5) para acabar com a presença dos “subversivos”. Foi por meio do AI-5, visando derrotar o avanço das lutas de resistência à ditadura nos anos 1966 e 1968, que os ditadores puderem prender, torturar e matar tendo a seu favor a “legalidade”. Hoje, sob o governo dos democratas cínicos, a reitora da USP e seus aliados da burocracia universitária têm condições de “legalmente” demitir Brandão e qualquer outro trabalhador da universidade, inclusive professores, e também reprimir os estudantes da forma como achar mais conveniente.
Embora tenha sido o AI-5 a ferramenta “legal” privilegiada para pôr fim a qualquer forma de pensamento crítico dentro da USP, datam de 1964 os inquéritos que investigavam a atuação de “marxistas” e “subversivos”. Logo nos primeiros meses após o golpe, a USP tinha a lista dos “subversivos” que poderiam pôr em risco a dominação dentro da universidade ou utilizá-la como espaço de crítica e debate. Não foi preciso o AI-5 para que as primeiras demissões fossem efetuadas na USP, principalmente da Faculdade de Medicina. Também data de antes do AI-5 a presença, com aval da administração universitária, da polícia na vida universitária, por meio de inquéritos, prisões e, certamente, torturas.
Como parte da repressão, foram elaboradas listas de cassações e demissões, que atingiram a USP em 28 de abril de 1969. O presidente da república, usando o AI-5, aposentou 42 pessoas que ocupavam cargos na administração pública, entre os quais Bolívar Lamounier, Florestan Fernandes e Mirian Limoeiro Cardoso. O protesto do então reitor da USP, Hélio Lourenço de Oliveira, pela demissão dos professores da universidade Florestan Fernandes, Jayme Timno e João Batista Villanova Artigas, teve como resposta a demissão do próprio reitor e de outros 23 professores, entre os quais Caio Prado Junior, Emília Viotti da Costa, Fernando Henrique Cardoso, Jean Claude Bernardet, José Arthur Gianotti e Octávio Ianni. Por meio desses dois decretos, os “incômodos” professores que vinham sendo investigados desde 1964, em sindicâncias internas e inquéritos policiais, estavam fora da USP. Na administração do novo reitor, professor Alfredo Buzaid, ligado ao professor da USP e então Ministro da Justiça Luiz Antônio de Gama e Silva, não se ouviu da burocracia universitária nenhum novo protesto.
Hoje, o cenário nas universidades não é muito diferente. De norte a sul do país, estudantes são considerados criminosos por lutarem pelos seus direitos mais elementares, como comer e ter um lugar para morar, bem como pela defesa da universidade pública e gratuita. Os setores combativos dos professores, que se articulavam por meio do seu sindicato nacional, o ANDES, vêm sofrendo com sistemáticos ataques por parte do governo federal e do sindicalismo governista, inclusive tendo de enfrentar a fundação de um sindicato paralelo. Os servidores não escapam a essa repressão, como na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde dirigentes sindicais dos trabalhadores e estudantes respondem a processo pela ocupação de uma reunião do conselho universitário em 2005.
Na USP de hoje, vêse repressão aos estudantes, ataques sistemáticos ao SINTUSP e diferentes medidas repressivas contra professores. Uma síntese disso é a demissão de Brandão, militante que é exemplo de dedicação à luta dos trabalhadores, sempre na defesa da universidade pública e pela revolução socialista. Se nestes dias lembramos os quarenta anos do AI-5, não podemos deixar de levar em conta que, faltando pouco para que se comemore os trinta anos da revogação do mesmo, o regime política que sustenta os interesses dos capitalistas continua a utilizar a “legalidade” para impedir as lutas mais legítimas dos trabalhadores. Mesmo num centro de produção de ciência, que deveria estar aberto ao diálogo e ao confronto de idéias, persistem tanto políticas para silenciar as posições críticas como as ações fascistas de eliminação das posições divergentes.
Porém, a história se repete como farsa, e agora estamos vendo os que foram ameaçados e cassados pela ditadura (principalmente os tucanos do PSDB) sendo responsáveis pela “legalidade” da perseguição contra os dissidentes e lutadores sociais.
*Texto extraído do Jornal Palavra Operária, no. 51 (www.ler-qi.org)
Michel Silva, graduando em História na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e membro do colegiado do Memorial dos Direitos Humanos (MDH) de Santa Catarina
Por Michel Silva
Desde o primeiro momento em que recebi a notícia da demissão por “justa causa” do camarada Brandão, não pude deixar de lembrar da larga trajetória de políticas de repressão dentro da Universidade de São Paulo (USP) e da forma como foi utilizado o Ato Institucional nº 5 (AI-5) para acabar com a presença dos “subversivos”. Foi por meio do AI-5, visando derrotar o avanço das lutas de resistência à ditadura nos anos 1966 e 1968, que os ditadores puderem prender, torturar e matar tendo a seu favor a “legalidade”. Hoje, sob o governo dos democratas cínicos, a reitora da USP e seus aliados da burocracia universitária têm condições de “legalmente” demitir Brandão e qualquer outro trabalhador da universidade, inclusive professores, e também reprimir os estudantes da forma como achar mais conveniente.
Embora tenha sido o AI-5 a ferramenta “legal” privilegiada para pôr fim a qualquer forma de pensamento crítico dentro da USP, datam de 1964 os inquéritos que investigavam a atuação de “marxistas” e “subversivos”. Logo nos primeiros meses após o golpe, a USP tinha a lista dos “subversivos” que poderiam pôr em risco a dominação dentro da universidade ou utilizá-la como espaço de crítica e debate. Não foi preciso o AI-5 para que as primeiras demissões fossem efetuadas na USP, principalmente da Faculdade de Medicina. Também data de antes do AI-5 a presença, com aval da administração universitária, da polícia na vida universitária, por meio de inquéritos, prisões e, certamente, torturas.
Como parte da repressão, foram elaboradas listas de cassações e demissões, que atingiram a USP em 28 de abril de 1969. O presidente da república, usando o AI-5, aposentou 42 pessoas que ocupavam cargos na administração pública, entre os quais Bolívar Lamounier, Florestan Fernandes e Mirian Limoeiro Cardoso. O protesto do então reitor da USP, Hélio Lourenço de Oliveira, pela demissão dos professores da universidade Florestan Fernandes, Jayme Timno e João Batista Villanova Artigas, teve como resposta a demissão do próprio reitor e de outros 23 professores, entre os quais Caio Prado Junior, Emília Viotti da Costa, Fernando Henrique Cardoso, Jean Claude Bernardet, José Arthur Gianotti e Octávio Ianni. Por meio desses dois decretos, os “incômodos” professores que vinham sendo investigados desde 1964, em sindicâncias internas e inquéritos policiais, estavam fora da USP. Na administração do novo reitor, professor Alfredo Buzaid, ligado ao professor da USP e então Ministro da Justiça Luiz Antônio de Gama e Silva, não se ouviu da burocracia universitária nenhum novo protesto.
Hoje, o cenário nas universidades não é muito diferente. De norte a sul do país, estudantes são considerados criminosos por lutarem pelos seus direitos mais elementares, como comer e ter um lugar para morar, bem como pela defesa da universidade pública e gratuita. Os setores combativos dos professores, que se articulavam por meio do seu sindicato nacional, o ANDES, vêm sofrendo com sistemáticos ataques por parte do governo federal e do sindicalismo governista, inclusive tendo de enfrentar a fundação de um sindicato paralelo. Os servidores não escapam a essa repressão, como na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde dirigentes sindicais dos trabalhadores e estudantes respondem a processo pela ocupação de uma reunião do conselho universitário em 2005.
Na USP de hoje, vêse repressão aos estudantes, ataques sistemáticos ao SINTUSP e diferentes medidas repressivas contra professores. Uma síntese disso é a demissão de Brandão, militante que é exemplo de dedicação à luta dos trabalhadores, sempre na defesa da universidade pública e pela revolução socialista. Se nestes dias lembramos os quarenta anos do AI-5, não podemos deixar de levar em conta que, faltando pouco para que se comemore os trinta anos da revogação do mesmo, o regime política que sustenta os interesses dos capitalistas continua a utilizar a “legalidade” para impedir as lutas mais legítimas dos trabalhadores. Mesmo num centro de produção de ciência, que deveria estar aberto ao diálogo e ao confronto de idéias, persistem tanto políticas para silenciar as posições críticas como as ações fascistas de eliminação das posições divergentes.
Porém, a história se repete como farsa, e agora estamos vendo os que foram ameaçados e cassados pela ditadura (principalmente os tucanos do PSDB) sendo responsáveis pela “legalidade” da perseguição contra os dissidentes e lutadores sociais.
*Texto extraído do Jornal Palavra Operária, no. 51 (www.ler-qi.org)
Michel Silva, graduando em História na Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e membro do colegiado do Memorial dos Direitos Humanos (MDH) de Santa Catarina
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
Carta do BRANDÃO aos apoiadores
A minha demissão não é um ataque a um indivíduo. O que a reitoria está tentando aniquilar quando me demite é mais do que a minha pessoa, é a organização e combatividade dos trabalhadores da USP. O que essa burocracia acadêmica está tentando matar nas pessoas dos meus companheiros diretores e ativistas do SINTUSP que estão processados, correndo o risco de serem demitidos como eu, é a tradição de luta dos trabalhadores da USP e do seu sindicato. O que a reitoria está tentando neutralizar nas pessoas dos estudantes que estão processados, correndo o risco de serem jubilados, expulsos da universidade, é a combatividade de um novo movimento estudantil que começou com a ocupação da reitoria da USP no ano passado e se espalhou pelo país. Por isso, as inúmeras manifestações de apoio, solidariedade e repúdio à minha demissão e de exigência da reintegração e retirada de todos os processos administrativos que a reitoria está movendo contra os lutadores operários e estudantis da USP merecem mais do que o meu simples agradecimento; merecem ser saudadas como parte da luta em defesa do direito e da liberdade de organização e atuação política e sindical dos trabalhadores, professores e estudantes da USP; uma luta que nos oferece a oportunidade de educar importantes segmentos da vanguarda a respeito da importância e da necessidade do exercício do internacionalismo e da solidariedade de classe dos trabalhadores.
Nota da LER-QI sobre a Paralisação e o ato na USP de 16/12
PARALISAÇÃO NA USP E ATO COM MAIS DE 1000 DÃO GRANDE EXEMPLO DE MOBILIZAÇÃO EM DEFESA DE BRANDÃO E DO SINTUSP!!!!
Se a reitoria e Serra esperavam que seu ataque ao Sindicato dos Trabalhadores da USP e à universidade com a demissão de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário, não iria obter resposta se fosse realizado no período de férias, quando não somente estudantes e professores, mas também amplos setores dos funcionários já não estão na USP, estavam profundamente enganados.
Depois de uma semana de intensa campanha democrática, que vem ganhando apoio não somente na massa dos trabalhadores da universidade, entre os estudantes que organizaram um acampamento em frente à reitoria e entre as entidades do Fórum das Seis, mas em todo o país, com uma valiosa solidariedade de todas as organizações de esquerda, dezenas de intelectuais, parlamentares, personalidades da cultura, diversas entidades sindicais e estudantis, diversos organismos e personalidades dos direitos humanos que já denunciaram a ilegalidade de tal medida, além de apoios internacionais, o dia 16/12 se transformou num primeiro marco político contundente da campanha.
Os trabalhadores da USP deram um grande exemplo de combatividade encampando o chamado do Sintusp para defender seus dirigentes sindicais e sua entidade. Desde cedo, os trabalhadores da USP realizaram paralisação em diversas unidades importantes e organizaram um piquete na reitoria, onde ocorreria uma reunião do Conselho Universitário, para exigir a reintegração imediata de Brandão. Antes do ato político começar, já havia mais de 200 pessoas na porta da reitoria, o que obrigou a burocracia acadêmica a realizar o Conselho Universitário no IPEN, sob a guarda de fuzileiros navais.
Às 8:00, já éramos centenas em frente à reitoria num grande ato político, que foi crescendo com a chegada dos trabalhadores na USP e contou com a presença de mais de mil ativistas e diversas personalidades.
Participaram do ato políticos e parlamentares como Jamil Murad (vereador do PC do B), Eliseu Gabriel (Vereador PSB) e um representante do mandato de Ivan Valente (PSOL). Intelectuais e professores como Leonel Itaussu (Prof. da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Chico Miraglia (ADUSP), Milton Vieira (Adunesp), Edmundo Fernandes (Adunicamp e coordenador do Fórum das Seis), Osvaldo Coggiola (Prof. do Depto. de História – USP); Entidades sindicais, estudantis e movimentos sociais da Coordenação nacional de Lutas (CONLUTAS), Sindicato dos Trabalhadores da UNESP, Diretório Central dos Estudantes da USP, Diretório Central dos Estudantes da UNESP, Movimento Negro Unificado (MNU) e militantes de correntes e partidos políticos como a Liga Estratégia Revolucionária, Movimento A Plenos Pulmões, Partido Socialismo e Liberdade, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, Partido da Causa Operária, Movimento Negação da Negação, Liga Bolchevique Internacionalista, Movimento Resistência e Ação e outras.
As diversas intervenções ressaltaram o caráter político da demissão por “justa causa” do companheiro Brandão, que para além do ataque à figura do companheiro, representa um ataque ao Sintusp e a liberdade de organização política e sindical do conjunto dos trabalhadores, o que é o motivo de fundo para tamanha mobilização que vem se dando ao redor da campanha em plenas férias.
Muitas falas colocaram a importância de uma resposta à demissão de Brandão no marco dos demais ataques sofridos pelos trabalhadores de diversas categorias que já sentem sobre suas costas os efeitos da crise econômica através de demissões, PDVs, férias coletivas e retirada de direitos. Para o funcionalismo público de São Paulo, a Assembléia Legislativa já aprovou a PL 56 que prevê, entre outras medidas, a extinção de mais de 5.000 cargos de nível básico para avançar ainda mais com a terceirização e a privatização da universidade pública.
Mostrou-se fundamental o papel dos estudantes, acampados em frente à reitoria que contribuíram com a mobilização dos trabalhadores participando ativamente das reuniões de unidade e organizando ações de protesto pela universidade. Essa unidade entre estudantes e trabalhadores da USP é fundamental, já que a repressão atinge ambas as categorias, com ataques aos espaços, câmeras espalhadas por toda a universidade, multas absurdas contra as entidades e para barrar esses ataques é necessária a força dessa aliança.
Durante o ato, estudantes e trabalhadores chamaram palavras de ordem em defesa de Brandão e do Sintusp e um grupo de maracatu organizado por estudantes ajudou a agitar as intervenções além das manifestações dos próprios trabalhadores com apitos e faixas de protesto.
Apesar do peso político do ato e da paralisação, a reitora Suely Vilela mostrou sua completa intransigência e sequer se dispôs a sentar para negociar, com nenhum representante que seja. Isso mostra como as forças que acumulamos rapidamente terão que se transformar em algo superior para derrotar a reitoria e o governo e readmitir Brandão, por isso, chamamos os apoiadores a discutir os próximos passos e medidas concretas de ação.
Neste sentido, reforçamos e apoiamos o chamado feito pelo Sintusp a organizarmos um Encontro Regional de Trabalhadores e Estudantes para o início de 2009, que sirva como ponto de apoio não somente para aprofundar a campanha contra a demissão do Brandão, se esta não for revertida até lá, para transformar essa frente única democrática em algo ainda superior, para lutar contra todas as perseguições aos estudantes, funcionários, professores e movimentos sociais que vem se aprofundando nacionalmente. Para ligar essa luta contra a repressão à luta contra os ataques de Serra e Suely à universidade. E destacadamente para preparar os trabalhadores e a juventude para enfrentar os capitalistas e os governos que estão descarregando a crise econômica sobre nossas costas, seguindo o exemplo das lutas que estão se dando em vários países do mundo, como na Itália, onde uma greve geral se deu sob a consigna levantada por trabalhadores e estudantes de “não pagaremos pela sua crise”, como na Grécia, onde a juventude está numa jornada de mobilizações a mais de uma semana e também houve uma greve geral, e vários outros países da Europa e América Latina, além das ocupações de fábrica que se deram nas terras de Obama e no norte da Alemanha.
Pela readmissão imediata do Brandão!
Contra a repressão aos trabalhadores, estudantes, professores e movimentos sociais!
Contra os ataques da reitoria e Serra à universidade!
Organizemos os trabalhadores e a juventude para que os capitalistas paguem pela crise!
Liga Estratégia Revolucionária
17/12/2008
Se a reitoria e Serra esperavam que seu ataque ao Sindicato dos Trabalhadores da USP e à universidade com a demissão de Claudionor Brandão, diretor do Sintusp e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário, não iria obter resposta se fosse realizado no período de férias, quando não somente estudantes e professores, mas também amplos setores dos funcionários já não estão na USP, estavam profundamente enganados.
Depois de uma semana de intensa campanha democrática, que vem ganhando apoio não somente na massa dos trabalhadores da universidade, entre os estudantes que organizaram um acampamento em frente à reitoria e entre as entidades do Fórum das Seis, mas em todo o país, com uma valiosa solidariedade de todas as organizações de esquerda, dezenas de intelectuais, parlamentares, personalidades da cultura, diversas entidades sindicais e estudantis, diversos organismos e personalidades dos direitos humanos que já denunciaram a ilegalidade de tal medida, além de apoios internacionais, o dia 16/12 se transformou num primeiro marco político contundente da campanha.
Os trabalhadores da USP deram um grande exemplo de combatividade encampando o chamado do Sintusp para defender seus dirigentes sindicais e sua entidade. Desde cedo, os trabalhadores da USP realizaram paralisação em diversas unidades importantes e organizaram um piquete na reitoria, onde ocorreria uma reunião do Conselho Universitário, para exigir a reintegração imediata de Brandão. Antes do ato político começar, já havia mais de 200 pessoas na porta da reitoria, o que obrigou a burocracia acadêmica a realizar o Conselho Universitário no IPEN, sob a guarda de fuzileiros navais.
Às 8:00, já éramos centenas em frente à reitoria num grande ato político, que foi crescendo com a chegada dos trabalhadores na USP e contou com a presença de mais de mil ativistas e diversas personalidades.
Participaram do ato políticos e parlamentares como Jamil Murad (vereador do PC do B), Eliseu Gabriel (Vereador PSB) e um representante do mandato de Ivan Valente (PSOL). Intelectuais e professores como Leonel Itaussu (Prof. da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), Chico Miraglia (ADUSP), Milton Vieira (Adunesp), Edmundo Fernandes (Adunicamp e coordenador do Fórum das Seis), Osvaldo Coggiola (Prof. do Depto. de História – USP); Entidades sindicais, estudantis e movimentos sociais da Coordenação nacional de Lutas (CONLUTAS), Sindicato dos Trabalhadores da UNESP, Diretório Central dos Estudantes da USP, Diretório Central dos Estudantes da UNESP, Movimento Negro Unificado (MNU) e militantes de correntes e partidos políticos como a Liga Estratégia Revolucionária, Movimento A Plenos Pulmões, Partido Socialismo e Liberdade, Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, Partido da Causa Operária, Movimento Negação da Negação, Liga Bolchevique Internacionalista, Movimento Resistência e Ação e outras.
As diversas intervenções ressaltaram o caráter político da demissão por “justa causa” do companheiro Brandão, que para além do ataque à figura do companheiro, representa um ataque ao Sintusp e a liberdade de organização política e sindical do conjunto dos trabalhadores, o que é o motivo de fundo para tamanha mobilização que vem se dando ao redor da campanha em plenas férias.
Muitas falas colocaram a importância de uma resposta à demissão de Brandão no marco dos demais ataques sofridos pelos trabalhadores de diversas categorias que já sentem sobre suas costas os efeitos da crise econômica através de demissões, PDVs, férias coletivas e retirada de direitos. Para o funcionalismo público de São Paulo, a Assembléia Legislativa já aprovou a PL 56 que prevê, entre outras medidas, a extinção de mais de 5.000 cargos de nível básico para avançar ainda mais com a terceirização e a privatização da universidade pública.
Mostrou-se fundamental o papel dos estudantes, acampados em frente à reitoria que contribuíram com a mobilização dos trabalhadores participando ativamente das reuniões de unidade e organizando ações de protesto pela universidade. Essa unidade entre estudantes e trabalhadores da USP é fundamental, já que a repressão atinge ambas as categorias, com ataques aos espaços, câmeras espalhadas por toda a universidade, multas absurdas contra as entidades e para barrar esses ataques é necessária a força dessa aliança.
Durante o ato, estudantes e trabalhadores chamaram palavras de ordem em defesa de Brandão e do Sintusp e um grupo de maracatu organizado por estudantes ajudou a agitar as intervenções além das manifestações dos próprios trabalhadores com apitos e faixas de protesto.
Apesar do peso político do ato e da paralisação, a reitora Suely Vilela mostrou sua completa intransigência e sequer se dispôs a sentar para negociar, com nenhum representante que seja. Isso mostra como as forças que acumulamos rapidamente terão que se transformar em algo superior para derrotar a reitoria e o governo e readmitir Brandão, por isso, chamamos os apoiadores a discutir os próximos passos e medidas concretas de ação.
Neste sentido, reforçamos e apoiamos o chamado feito pelo Sintusp a organizarmos um Encontro Regional de Trabalhadores e Estudantes para o início de 2009, que sirva como ponto de apoio não somente para aprofundar a campanha contra a demissão do Brandão, se esta não for revertida até lá, para transformar essa frente única democrática em algo ainda superior, para lutar contra todas as perseguições aos estudantes, funcionários, professores e movimentos sociais que vem se aprofundando nacionalmente. Para ligar essa luta contra a repressão à luta contra os ataques de Serra e Suely à universidade. E destacadamente para preparar os trabalhadores e a juventude para enfrentar os capitalistas e os governos que estão descarregando a crise econômica sobre nossas costas, seguindo o exemplo das lutas que estão se dando em vários países do mundo, como na Itália, onde uma greve geral se deu sob a consigna levantada por trabalhadores e estudantes de “não pagaremos pela sua crise”, como na Grécia, onde a juventude está numa jornada de mobilizações a mais de uma semana e também houve uma greve geral, e vários outros países da Europa e América Latina, além das ocupações de fábrica que se deram nas terras de Obama e no norte da Alemanha.
Pela readmissão imediata do Brandão!
Contra a repressão aos trabalhadores, estudantes, professores e movimentos sociais!
Contra os ataques da reitoria e Serra à universidade!
Organizemos os trabalhadores e a juventude para que os capitalistas paguem pela crise!
Liga Estratégia Revolucionária
17/12/2008
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Declaração do Deputado Federal Ivan Valente na Camara
REITORIA DA USP ATACA A LIBERDADE DE ORGANIZAÇÃO SINDICAL
Sr. Presidente, Sras., e Srs. Deputados, assumo esta tribuna para denunciar uma grave arbitrariedade praticada pela Reitoria da USP – Universidade de São Paulo, que demitiu por justa causa o dirigente sindical Claudionor Brandão, do Sindicato dos Trabalhadores da USP, como resultado da conclusão de um processo administrativo aberto em 2005.
Sras. e Srs. Deputados, estamos surpresos com esta medida extrema por parte da Reitoria da universidade. Não cabe a uma instituição de ensino que tem uma tradição democrática como a USP, a prática de medidas que se caracterizam como perseguição política a funcionários e ataque a sua livre organização sindical. Ainda mais em um momento em que aqueles que valorizam, lutaram e lutam pela consolidação da democracia neste país resgatam em nossa memória coletiva os 40 anos da promulgação do AI-5 que impôs um conjunto de medidas de exceção, dentre elas a perda de direitos de associação e organização dos trabalhadores. É lamentável saber que ainda neste ano o Diretório Central dos Estudantes, DCE-Livre "Alexandre Vannucchi Leme", e o Sindicato dos Trabalhadores na USP – SINTUSP- estão sofrendo processo indenizatório em virtude da mobilização da ocupação da reitoria.
Chama a atenção também, o fato de que o anúncio da demissão ocorre às vésperas das festas natalinas, ocasião em que, como é de conhecimento de todos, há um esvaziamento natural da universidade, em função do estabelecimento das férias escolares, ou seja, período especialmente escolhido para dificultar a reação da comunidade a tais medidas.
Mas, não são é só esse o problema enfrentado pelos funcionários, estudantes e docentes da USP, pois estão sendo brindados também neste final de ano com uma proposta de reformulação do estatuto da USP que cria diferenciações injustificáveis na carreira universitária e entre servidores da ativa e inativos. Evidentemente, propostas de alteração do estatuto e da carreira devem ser conduzidas com a mais absoluta transparência, democracia e ampla participação de todos setores envolvidos, o que, infelizmente, não está ocorrendo.
Medidas como estas se coadunam com a visão tecnocrática de administração pública implementada pelo atual Governo do Estado de São Paulo, que adota a lógica de vigiar e punir o funcionalismo público e não de sua real valorização, comprometendo ainda mais a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.Desta forma, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fazemos um apelo à Magnífica Reitora da Universidade de São Paulo, Profa. Dra. Suely Vilela, que revogue imediatamente esta injusta demissão e reabra os canais de discussão sobre o futuro da carreira universitária desta importante e prestigiada instituição.
Muito obrigado,
Ivan Valente Deputado Federal – PSOL/SP
Sr. Presidente, Sras., e Srs. Deputados, assumo esta tribuna para denunciar uma grave arbitrariedade praticada pela Reitoria da USP – Universidade de São Paulo, que demitiu por justa causa o dirigente sindical Claudionor Brandão, do Sindicato dos Trabalhadores da USP, como resultado da conclusão de um processo administrativo aberto em 2005.
Sras. e Srs. Deputados, estamos surpresos com esta medida extrema por parte da Reitoria da universidade. Não cabe a uma instituição de ensino que tem uma tradição democrática como a USP, a prática de medidas que se caracterizam como perseguição política a funcionários e ataque a sua livre organização sindical. Ainda mais em um momento em que aqueles que valorizam, lutaram e lutam pela consolidação da democracia neste país resgatam em nossa memória coletiva os 40 anos da promulgação do AI-5 que impôs um conjunto de medidas de exceção, dentre elas a perda de direitos de associação e organização dos trabalhadores. É lamentável saber que ainda neste ano o Diretório Central dos Estudantes, DCE-Livre "Alexandre Vannucchi Leme", e o Sindicato dos Trabalhadores na USP – SINTUSP- estão sofrendo processo indenizatório em virtude da mobilização da ocupação da reitoria.
Chama a atenção também, o fato de que o anúncio da demissão ocorre às vésperas das festas natalinas, ocasião em que, como é de conhecimento de todos, há um esvaziamento natural da universidade, em função do estabelecimento das férias escolares, ou seja, período especialmente escolhido para dificultar a reação da comunidade a tais medidas.
Mas, não são é só esse o problema enfrentado pelos funcionários, estudantes e docentes da USP, pois estão sendo brindados também neste final de ano com uma proposta de reformulação do estatuto da USP que cria diferenciações injustificáveis na carreira universitária e entre servidores da ativa e inativos. Evidentemente, propostas de alteração do estatuto e da carreira devem ser conduzidas com a mais absoluta transparência, democracia e ampla participação de todos setores envolvidos, o que, infelizmente, não está ocorrendo.
Medidas como estas se coadunam com a visão tecnocrática de administração pública implementada pelo atual Governo do Estado de São Paulo, que adota a lógica de vigiar e punir o funcionalismo público e não de sua real valorização, comprometendo ainda mais a qualidade dos serviços públicos oferecidos à população.Desta forma, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, fazemos um apelo à Magnífica Reitora da Universidade de São Paulo, Profa. Dra. Suely Vilela, que revogue imediatamente esta injusta demissão e reabra os canais de discussão sobre o futuro da carreira universitária desta importante e prestigiada instituição.
Muito obrigado,
Ivan Valente Deputado Federal – PSOL/SP
Do site do MNN: Reitoria da USP ataca novamente nas férias: dirigente do Sintusp demitido
O processo de repressão avança a cada dia na USP! Na mesma semana em que o DCE (Diretório Central dos Estudantes) recebeu mais duas multas por greve e mobilizações feitas em outros anos (agora o valor total é de 1 milhão de reais!), Claudionor Brandão, um dos diretores do Sintusp (sindicato dos trabalhadores da universidade), foi demitido por "justa causa"!
O pretexto para a demissão foi um processo administrativo aberto durante a greve de 2005. Naquele ano, trabalhadores da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) enfrentaram o autoritarismo do então diretor Ricardo Toledo, que não queria deixar a unidade entrar em greve, e pediram apoio do comando de greve para realizar um piquete na biblioteca. Apesar do autoritarismo absurdo do diretor que intimidava os funcionários para que não fizessem greve, Brandão foi acusado de "invadir" a biblioteca (a pedido dos próprios funcionários?!), e o processo resultou na sua suspensão. Segundo o estatuto da USP, um trabalhador que receber mais de 2 suspensões pode ser demitido por qualquer motivo. Assim, acumulando 3 suspensões arbitrárias, todas por perseguição política, Brandão foi demitido por "justa causa".
Por trás do discurso legalista e burocrático está o ataque da Reitoria, que quer destruir tanto o movimento estudantil quanto a organização dos trabalhadores da USP. Diferentemente da ADUSP (associação dos professores) que traiu a forte greve de 2007 nas primeiras semanas, os estudantes e trabalhadores se mantiveram mobilizados por quase dois meses ocupando a Reitoria da USP.
Se nas férias de 2007 a burocracia universitária abriu sindicâncias e concretou o porão dos estudantes na FFLCH, agora a Reitoria aproveita as férias de 2008 para tentar acabar com o DCE e com o Sintusp. Se por um lado esse processo de repressão é devido às mobilizações dos anos anteriores, e sobretudo à do ano passado, por outro, é sem dúvida uma tentativa de desde já barrar as inevitáveis mobilizações que ocorrerão no Brasil por conta da crise econômica mundial.
Mais do que nunca, é necessário lutar para defender o direito mínimo e democrático de organização e manifestação. Algo que possa reorganizar e unificar tanto o movimento estudantil como o movimento dos trabalhadores da USP. Um luta que deve ser iniciada desde já, e intensificada no ano que vem a partir da calourada de 2009!
Readmissão imediata do companheiro Brandão!
Retirada das sindicâncias e processos judiciais contra os estudantes e funcionários da USP!
Defender os espaços estudantis!
Lutar contra a repressão!
www.movimentonn.org
O pretexto para a demissão foi um processo administrativo aberto durante a greve de 2005. Naquele ano, trabalhadores da FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) enfrentaram o autoritarismo do então diretor Ricardo Toledo, que não queria deixar a unidade entrar em greve, e pediram apoio do comando de greve para realizar um piquete na biblioteca. Apesar do autoritarismo absurdo do diretor que intimidava os funcionários para que não fizessem greve, Brandão foi acusado de "invadir" a biblioteca (a pedido dos próprios funcionários?!), e o processo resultou na sua suspensão. Segundo o estatuto da USP, um trabalhador que receber mais de 2 suspensões pode ser demitido por qualquer motivo. Assim, acumulando 3 suspensões arbitrárias, todas por perseguição política, Brandão foi demitido por "justa causa".
Por trás do discurso legalista e burocrático está o ataque da Reitoria, que quer destruir tanto o movimento estudantil quanto a organização dos trabalhadores da USP. Diferentemente da ADUSP (associação dos professores) que traiu a forte greve de 2007 nas primeiras semanas, os estudantes e trabalhadores se mantiveram mobilizados por quase dois meses ocupando a Reitoria da USP.
Se nas férias de 2007 a burocracia universitária abriu sindicâncias e concretou o porão dos estudantes na FFLCH, agora a Reitoria aproveita as férias de 2008 para tentar acabar com o DCE e com o Sintusp. Se por um lado esse processo de repressão é devido às mobilizações dos anos anteriores, e sobretudo à do ano passado, por outro, é sem dúvida uma tentativa de desde já barrar as inevitáveis mobilizações que ocorrerão no Brasil por conta da crise econômica mundial.
Mais do que nunca, é necessário lutar para defender o direito mínimo e democrático de organização e manifestação. Algo que possa reorganizar e unificar tanto o movimento estudantil como o movimento dos trabalhadores da USP. Um luta que deve ser iniciada desde já, e intensificada no ano que vem a partir da calourada de 2009!
Readmissão imediata do companheiro Brandão!
Retirada das sindicâncias e processos judiciais contra os estudantes e funcionários da USP!
Defender os espaços estudantis!
Lutar contra a repressão!
www.movimentonn.org
Nota do JORNAL PUCVIVA N° 685 - 15/12/08
Demissão de funcionário na USP evidencia perseguição
Na terça-feira, 9/12, o funcionário Claudionor Brandão foi demitido pela reitoria da USP, que alegou justa causa. Brandão é dirigente sindical do Sintusp e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário. Ele foi acusado de faltas graves, por ter participado de piquetes e das paralisações de 2005 e 2006. Durante todo o período de participação, Claudionor Brandão agiu em defesa da educação pública e de qualidade, sempre seguindo as reivindicações definidas pelas assembléias da categoria.
Este ataque é a continuação da política de perseguição adotada pela reitora Sueli Vilela após a vitoriosa movimentação em 2007, quando a greve e a ocupação da Reitoria barraram os decretos do governo do Estado que afetavam gravemente a qualidade de ensino da universidade. Neste ano, porém, as mesmas resoluções que apareciam nos decretos estão sendo aprovadas de maneira silenciosa, enquanto o movimento da universidade é obrigado a lutar contra a repressão.
Em 4/11 foi realizado um ato público contra a repressão aos trabalhadores e estudantes da USP, com a presença do sociólogo Chico de Oliveira, o professor da USP Chico Miraglia, o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL-SP), Dirceu Travesso, do PSTU e dirigente da Conlutas, além de outros nomes.
Todos que queiram apoiar a luta pela readmissão de Claudionor Brandão podem endossar o abaixo-assinado através dos e-mails sintusp@terra.com.br e contrademissaodo brandao@yahoo.com.br.
Os trabalhadores e estudantes da USP marcaram um ato pela readmissão de Brandão nessa terça-feira, 16/12. A concentração está marcada para as 6h e o ato terá início às 8h em frente à Reitoria da USP. Após a manifestação, os funcionário organizarão uma paralisação durante o resto do dia
Na terça-feira, 9/12, o funcionário Claudionor Brandão foi demitido pela reitoria da USP, que alegou justa causa. Brandão é dirigente sindical do Sintusp e representante eleito dos funcionários no Conselho Universitário. Ele foi acusado de faltas graves, por ter participado de piquetes e das paralisações de 2005 e 2006. Durante todo o período de participação, Claudionor Brandão agiu em defesa da educação pública e de qualidade, sempre seguindo as reivindicações definidas pelas assembléias da categoria.
Este ataque é a continuação da política de perseguição adotada pela reitora Sueli Vilela após a vitoriosa movimentação em 2007, quando a greve e a ocupação da Reitoria barraram os decretos do governo do Estado que afetavam gravemente a qualidade de ensino da universidade. Neste ano, porém, as mesmas resoluções que apareciam nos decretos estão sendo aprovadas de maneira silenciosa, enquanto o movimento da universidade é obrigado a lutar contra a repressão.
Em 4/11 foi realizado um ato público contra a repressão aos trabalhadores e estudantes da USP, com a presença do sociólogo Chico de Oliveira, o professor da USP Chico Miraglia, o deputado estadual Carlos Gianazzi (PSOL-SP), Dirceu Travesso, do PSTU e dirigente da Conlutas, além de outros nomes.
Todos que queiram apoiar a luta pela readmissão de Claudionor Brandão podem endossar o abaixo-assinado através dos e-mails sintusp@terra.com.br e contrademissaodo brandao@yahoo.com.br.
Os trabalhadores e estudantes da USP marcaram um ato pela readmissão de Brandão nessa terça-feira, 16/12. A concentração está marcada para as 6h e o ato terá início às 8h em frente à Reitoria da USP. Após a manifestação, os funcionário organizarão uma paralisação durante o resto do dia
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